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Quando os ratos surgem...
Por Mabi Pimentel - Redatora interina

Ainda é cedo para tirar conclusões a respeito da extensão das virtuais irregularidades cometidas no Senado Federal, mas pelo que tenho visto e lido a respeito de denúncias envolvendo “gente vip”, posso tirar minhas próprias conclusões.

Subordinados obedecem cegamente seus superiores, mesmo conscientes que tais ordens sejam irregulares, ilegais,e às vezes, até criminosas. Não contestam, não advertem, não se recusam a praticá-las, silenciam, omitem-se, por comodismo, por conveniência, por covardia. Aproveitam-se das irregularidades para levar  vantagem, enquanto tudo corre bem. Bastou uma ameaça de escândalo, como este (requentado, pois na verdade ela deu sinais de existência desde 2004) que a imprensa  promete, envolvendo o Senado Federal, para que os subalternos resolvessem “ser honestos”, agora passou a hora de mostrarem-se honestos, a hora certa seria no memento mesmo em que acataram a ordem.

São inúmeros os  exemplos de profissionais que,mesmo tendo em jogo seu emprego, recusaram-se a cumprir ordens irregulares, mas um deles ficou marcado indelevelmente em minha memória. Trata-se de um publicitário  paulista, quando trabalhava no Palácio dos Bandeirantes, durante o Governo de Paulo Maluf, que tinha como Chefe de Gabinete o durão Calim Eid.

Eid queria privilegiar um emissora de rádio com gorda verba publicitária, com a qual não concordava o profissional, depois de constatar, tecnicamente, que aquela publicidade não era compatível com o custo-benefício. Diante da insistência de Eid em veicular a publicidade, o profissional tomou uma atitude drástica, de acordo com sua convicção de que dinheiro público não se joga no lixo e deixou o cargo, sem executar a ordem.

Vale a pena lembrar ainda episódio pitoresco, por sinal, envolvendo Maluf  durante uma  campanha eleitoral,então assessorado por Carlos Brikiman. Brikman orientava Maluf como se apresentar no comício usando sapatos Vulcabras, trocando-os pelos seus, de cromo alemão. Maluf recusava-se terminantemente a fazê-lo. Brikman não teve duvidas: pôs o cargo a disposição, o que não foi aceito. Maluf cedeu e depois cumprimentou o assessor pois, ao ser cercado por repórteres, notou  que todas as câmeras focavam seus pés, exibindo sapatos baratos.

Por outro lado, um jornalista, enquanto diretor de uma revista, já extinta, assessorava um deputado, ainda na  ativa. Este profissional de imprensa, que deveria combater práticas ilegais, para manter seu emprego no gabinete do parlamentar, ilegal e irregularmente, concordava em devolver ao gabinete,  todos os meses, 20% do seu salário!!!

A propósito, esta é prática  é rotineira nos gabinetes e ninguém  bateu nesta tecla, o que não quer dizer que não tentaram, mas não encontraram ressonância.

Muitos outros fatos de deslealdade, de parcerias rompidas unilateralmente  quando, como se diz na gíria. “o bicho pegou”. Haja visto duas mulheres que não abriram mão de um dia de fama ao verem seus companheiros envolvidos em escândalos: Nilceia ( ex-mulher de Pita, ex-prefeito de São Paulo) e Cristina Mendes Caldeira (ex-mulher de Waldemar da Costa Neto, o Boy, como é popularmente conhecido).

Nunca, antes do escândalo haviam se incomodado com a origem do dinheiro que seus companheiros gastavam em viagens para a Europa, em passeiosextravagantes, mas depois arvoraram-se em exemplos de dignidade, de honestidade, de escrúpulos.

Nada expressa melhor atitudes semelhantes que o sábio dito popular: ”quando o barco afunda, os ratos saem”

Agora a imprensa está toda voltada para as alardeadas irregularidades no Senado, numa os ratos estiveram tão soltos. O Ministério da Saúde deveria, inclusive, preocupar-se com eles tanto quanto o faz em relação  a gripe suína, porque urina de rato causa leptospirose e chega a matar.

O inacreditável é que a imprensa investigativa, ávida por escândalos, não tenha atentado para o verdadeiro motivo desta onda de denuncismo, ignorando que o pano de fundo de toda esta celeuma nada mais é que uma guerra declarada de concursados contra terceirizados, em outras palavras, é a ditadura dos concursados que se valem da imprensa para suas pretensões escusas.

Tudo parece cristalino, se os fatos apontados como irregulares vêm se sucedendo há  mais de dez anos, porque só agora vem a tona?

 Porque estavam todos coniventes, levando algum tipo de vantagem. Isto é óbvio demais, silêncio sepulcral imperou por mais de uma década, hoje serve de moeda de troca junto a diretoria da Casa e senadores, sobretudo em relação ao Presidente, senador José Sarney, por quem a mídia não demonstra a menor consideração, nem como político, ex-presidente do país que tanto de si deu ao Brasil, nem como pessoa, forçando-o, a todo instante, usar a tribuna para explicações em torno de picuinhas que remontam a tempos em que sequer exercia a Presidência do Senado.

Ele já declarou, alto e bom tom, que a crise não é dele e sim do Senado e mesmo assim tomou as providências que lhe competem.

Cumpre, portanto, a comissão nomeada para proceder às investigações, naturalmente  constituída por funcionários concursados, um Representante do Ministério Público e um do Tribunal de Contas da União, executar sua obrigação de maneira limpa, imparcial e justa.

Quanto a nomeação da referida comissão, está certo o  Presidente do Senado ao deixar de fora a Policia Federal, porque o Senado é um dos três poderes da República Federativa do Brasil e a Polícia Federal pertence ao  executivo e um Poder não pode investigar o outro.

Logo, a mídia,aliada aos múltiplos “senadinhos” existentes em Brasília, não pode desencadear esse patrulhamento macartista na tentativa de subjugar os senadores, legitimamente eleitos pelo povo, para atingir objetivos escusos.Esta é uma das faces do terrorismo que é repugnante, precisando ser exterminado antes que se dissemine como erva daninha.

Newton Duartee, jornalista, analista poítico. newton@ndnewsonline.com.br

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