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Começar de novo

Ao tomar conhecimento, pela imprensa, da iniciativa do Presidente do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes, de lançar o programa “Começar de novo”, voltei no tempo, algumas décadas, onde busquei o embrião desta idéia fantástica que trago a tona agora com o objetivo de homenagear um velho amigo que, já na década de 70, como Diretor da Presídio de Campinas, plantou a semente da laborterapia para os detentos sob sua responsabilidade.
Trata-se do delegado aposentado, dr. Felix Vasconcelos Leite e quem duvidar de seu, digamos assim, atrevimento há quase 50 anos, pode checar a veracidade da informação com o próprio protagonista do fato, que hoje vive tranqüilo desfrutando de sua justa aposentadoria,ao de dos filhos, netos e bisnetos, numa chácara nos arredores de Campinas, mais precisamente, em Jaguariúna.
Seu trabalho, junto aos detentos, que ele queria reinseridos na sociedade após o cumprimento da pena, era inédito e deu ensejo a grande divulgação na imprensa, através do extinto semanário local “Jornal de Domingo”, cuja cobertura estava a cargo do jornalista Newton Duarte.
Com o mesmo objetivo, foi criado, quase simultaneamente,  o Conselho Carcerário  de Campinas ( não confundir com Conselho Penitenciário), por inspiração do então Juiz de Direito da Terceira Vara Criminal de Campinas, dr Wladimir Valler, entidade que prestava assistência não só aos detentos como às suas famílias, geralmente em condições de miserabilidade com a ausência do chefe.
Dr. Wladimir Valler empenhava-se pessoalmente, juto as empresas da cidade, buscando oportunidade de trabalho para os egressos, contribuindo para a recuperação de grande nu ex-detentos, sendo forçoso concluir que  naquela época baixa era a taxa de reincidência.
Faço este registro para demonstrar que, embora imbuído  dos melhores propósitos, o  “Começar de Novo” não é inédito, tem precursores. Pena que não tivessem seguidores que, com o mesmo carinho e dedicação, dessem continuidade a tão edificante tarefa.
Se isto tivesse acontecido, com toda certeza a violência no país não teria atingido o patamar em que se encontra hoje, a ponto de incomodar as mais altas autoridades, obrigando-as a voltarem os olhos para aqueles que foram sempre considerados  a escória da sociedade, párias indesejáveis para quem a grande mídia não dava espaço.
A grande mídia era elitista, não gastava papel e tinta com a sujeira das ruas, esquecida de que o lixo atirado sob o tapete um dia eclode.
Este dia chegou. A violência no pais  atingiu nível insuportável. Então agora, e somente agora, enxergam com outros olhos os presídios e os seres humanos que lá vivem.
Agora a sociedade é forçada a reconhecer sua culpa e  a colaborar para solução do problema, se não por solidariedade,  por uma questão de sobrevivência.

Mabi Pi mentel é advogada.- mabi@ndnewsonline.com.br

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