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Comércio Exterior: 40 anos
Nos últimos 40 anos, a economia brasileira obteve grande salto de qualidade na sua pauta de exportação. Contudo, a marca de vendedor de matérias primas para o mundo, continuou a ser o ponto forte do nosso comércio exterior. Hoje, ocupamos o segundo lugar na exportação de produtos agropecuários, ficando os Estados Unidos na primeira posição. A nossa marca é de fornecedor de alimentos para o mundo, o chamado agronegócio. Uma base econômica majoritariamente primária exportadora. Aliás, marca histórica que tem a mesma idade da descoberta de Pedro Álvares Cabral. Já em 1503, a base exportadora primária se iniciava em bases predatórias com o pau-brasil. A partir de 1549, com o primeiro governo geral e a decisão portuguesa de colonizar as novas terras, a cana de açúcar e os seus engenhos no nordeste, fazia nascer a produção que se estende aos dos atuais.
Até 1930, o Brasil era uma grande fazenda e tinha no café o principal elemento na geração da riqueza nacional. A revolução de 30, ao romper a velha ordem e com a implantação do governo Getulio Vargas se inicia a transformação e implantação das bases industrialistas e a criação de uma burocracia pública que buscava a racionalidade administrativa. A modernização incipiente na área industrial teve na II Guerra forte aliada. A modernização industrial deu-se aos trancos e barrancos.
Há 40 anos, 1969, o comércio exterior brasileiro tinha no café o correspondente a 45,6% das suas exportações. Seguindo-se: minérios, 7,7% algodão, 7,5% açúcar e álcool, 4,5% metalurgia, 3,6% carnes, 1,6% e, máquinas e equipamentos, 1,5%. A fonte é o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Os principais bens importados tinham o seguinte perfil: máquinas e equipamentos, 23,6% animal e vegetal, 18% combustíveis, 15,9% químicos, 13,9% metais, 12,2% e, material de transporte, 7,5%. Naquele ano, as nossas exportações se destinavam majoritariamente para os Estados Unidos e Europa que absorviam 66,9% da produção nacional.
Quadro décadas depois, 2009 as exportações brasileiras apresentam forte diversidade, mas os principais produtos de exportação continuam sendo bens primários. Senão vejamos: soja, 10,48% minério de ferro, 9,37% petróleo, 3,85% carne de frango, 3,22% açúcar bruto, 3,17% aviões, 2,75% café, 2,49% pasta química de madeira, 2,13% e, automóveis, 2,05%. Nossas exportações têm na Ásia, destacadamente a China, o seu maior mercado seguido da Europa e América Latina que absorvem 67,4%. O mercado norte americano que era majoritário na pauta das exportações há 40 anos, representa hoje 10,45%. Nos bens importados, eis o perfil: petróleo, 6,54% automóveis, 3,69% medicamentos, 3,37% peças para veículos, 2,68% insumos para eletroeletrônicos, 2,08% carvão mineral, 1,94% motores para aviões, 1,93% e gás natural, 1,53%.
A economia primária continua sendo um ponto forte, na pauta das nossas exportações. E isso significa vulnerabilidade, já que as commodities agrícolas não têm qualquer controle nas suas cotações. A tendência do médio e longo prazo é o encarecimento das importações e o barateamento das exportações. Tendência histórica que é irreversível, em qualquer tempo. Por exemplo, o apetite chinês chegará um momento que irá diminuir em relação ao Brasil. Os seus investimentos em vários países da Ásia e da África, objetivando a produção de alimentos e a exploração de minérios já vem se realizando com êxito.
A rigor, imaginar que uma economia primária exportadora, lastreada em commodities, minério de ferro e petróleo vai desenvolver, o Brasil à altura das aspirações nacionais, é sonho de verão. É fundamental perseguir um projeto nacional onde vigorosa política industrial integre a nossa estratégia de desenvolvimento contemplando as futuras gerações. Investir na qualificação profissional para ocupação de empregos nas áreas de serviço e tecnologia deve ser ponto inegociável nessa estratégia. Hoje, por exemplo, somos dependentes da importação de semicondutores e eletroeletrônicos, de primordial importância para as áreas de comunicações e informática. Nesses setores temos de importar maciçamente praticamente tudo para abastecer o mercado interno.
Nenhum país emergente com a importância do Brasil pode renunciar na implantação de políticas industriais competentes. O exemplo que a China e a Índia oferecem nessa direção deveria merecer altíssima prioridade das autoridades brasileiras, do presente e do futuro. Aqueles dois países têm estratégias políticas nacionais de desenvolvimento, onde a industrialização é carro chefe. Eis o tema que a sociedade brasileira organizada não pode se omitir na exigência de clareamento por parte dos candidatos que disputarão a eleição presidencial de 2010. Ao lado de uma economia primária exportadora é fundamental não abrir mão de uma política industrial competente. Estimular o investimento em tecnologias inovadoras e pioneiras, ao lado de desoneração tributária gradualista que garanta competitividade aos produtos nacionais de exportação. É oportuno relembrar que, apesar de todas as limitações, o Brasil se faz presente na produção de aviões, celulares e outros itens de indiscutível sofisticação. Ampliar em nível máximo as exportações de bens manufaturados e semimanufaturados, agregando emprego e riqueza, na transformação de produtos exportados “in-natura” deve ser prioridade máxima do próximo governo brasileiro. |